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Como sua empresa pode ajudar os “nem-nem” e diminuir a Guerra de Talentos

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), em 2022, o Brasil foi considerado o segundo país com mais jovens entre 18 e 24 que não estudam nem trabalham. São quase 36% dos brasileiros nesta faixa etária que são considerados nem-nem, sendo o estudo Education at Glance de 2022.


É fácil generalizarmos e apontarmos o indivíduo nem-nem como “preguiçoso”, mas quando mais de um terço da população nesta faixa etária está nesta situação, podemos perceber que é algo sistêmico.


É possível que os moldes educacionais não necessariamente sejam capazes de absorver todos nossos jovens brasileiros. A educação pública superior tem uma série de barreiras, com provas que exigem um ensino médio com qualidade que a escola pública não necessariamente consegue se igualar. Já as universidade de ensino privado, que se tem uma facilidade maior para entrar, tem um custo mensal atrelado e, portanto, tornam-se mais inacessíveis para os jovens.


Mesmo superando esta barreira e as pessoas ingressando em uma faculdade privada, não necessariamente se tornam aptas em determinadas habilidades técnicas exigidas pelo mercado de trabalho, uma vez que a educação nem sempre acompanha a velocidade da tecnologia e dessas habilidades.


A Korn Ferry divulgou um artigo evidenciando que até 2030, estima-se que mais de 85 milhões de empregos no mundo inteiro podem não ser preenchidos porque não se terá a quantidade necessária de pessoas com as habilidades necessárias para realizar as atividades.


Seguindo a mesma linha, Steven Hankin, da McKinsey & Company, cunhou o termo “Guerra pelo talento” (War for talent), referindo-se a alta competitividade entre as empresas para atrair e reter profissionais altamente capacitados. Além disso, Vikram Ahuja, CEO da Talent500, comenta que a guerra ficou ainda mais intensa num mundo pós-pandêmico. Antigamente, altas remunerações eram o suficiente para atrair os melhores talentos. Porém, segundo um estudo da Gallup, os funcionários esperam, além de um salário atrativo, experiências personalizadas em cada passo de sua carreira, balanceando sua vida profissional e pessoal.


Levando isso em consideração, o que sua empresa pode fazer?


Segundo a Korn Ferry, as organizações mais adaptáveis estão pegando para si a responsabilidade de atrair e treinar seus talentos, aumentando a quantidade de pessoas contratadas diretamente das escolas e faculdades e incentivando uma cultura de aprendizado e desenvolvimento contínuo.


Por isso, é importante que as empresas busquem criar seus próprios programas de talento, buscando desenvolver e capacitar os seus funcionários para que a guerra seja um pouco menos intensa.


Desta forma, o processo seletivo torna-se muito mais focado em soft skills e a responsabilidade de garantir as habilidades mais técnicas passa a ser da empresa. Isso pode ser visto através de diversos programas, como os de trainees, em que as empresas buscam formar os talentos ao longo dos primeiros meses na empresa.

Esses programas são ótimos para absorver jovens de faculdades públicas ou das de melhores notas do MEC, porém, ainda existe uma lacuna entre os nem-nem. A provocação que fica é: será que também não deveríamos criar e estruturar programas para esse público?


Quais são as oportunidades para aqueles que não necessariamente tiveram a oportunidade de estudar em uma das melhores faculdades do país, ou que sequer tiveram condições financeiras para estudar em uma faculdade? O que sua empresa está fazendo com relação a isso?



 

Sobre a Lívia

Uma pessoa apaixonada por seres humanos e sua interação com o trabalho, como fonte de gerar mais valor para sociedade. É formada em psicologia (USP), com mestrado em administração (FGV). Trabalhou mais de 8 anos na Stone, com uma carreira sólida no RH, estruturando boa parte da cultura organizacional, bem como o maior programa de talentos da empresa - o Recruta Stone. Atualmente, é consultora de RH e Carreira - www.caminhosnotrabalho.com


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