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O jogo do "Rouba Monte" e a competição por talentos no mercado de trabalho

A competição por talentos continua sendo um grande desafio para as organizações. A formação e o desenvolvimento de jovens talentos se apresenta como uma solução inteligente de força de trabalho sustentável e escalável para negócios no longo prazo.


Não é novidade que encontrar e reter pessoas profissionais capacitadas é um desafio que assombra negócios de todos os setores há bastante tempo. Segundo artigo publicado pela revista Forbes, a competição por talentos não só deve permanecer, mas provavelmente se intensificar como um dos principais desafios das organizações em 2023 e anos seguintes. Junte isso ao fato de que os pedidos de demissão bateram recorde no Brasil em 2022 e temos um cenário, no mínimo, preocupante.


A verdade é que a quantidade de talentos qualificados disponíveis no mercado é inferior à demanda de mão de obra e, como consequência, empresas acabam se engajando no que costumo chamar de estratégia "Rouba Monte". Para quem não está familiarizado, Rouba Monte é um jogo de baralho em que cada participante começa com uma combinação de cartas na mão e tem como objetivo acumular a maior quantidade de cartas possível, seja fazendo novas combinações a partir do monte principal do baralho ou "roubando" o monte dos seus adversários.


Trazendo a analogia do jogo para a nossa realidade, o que acontece é que, diante da urgência para encontrar talentos num curto espaço de tempo, muitas empresas optam por atrair profissionais de organizações vizinhas, oferecendo remuneração e benefícios mais atrativos. Até aí, nenhum problema. Essa é uma estratégia válida para o curto prazo. O problema surge quando não adicionamos novas cartas ao monte principal do baralho, ou seja, quando não investimos na qualificação de novos talentos que supram a demanda crescente do mercado. No médio e longo prazo, as consequências dessa escolha resultam - dentre inúmeras outras dificuldades - em apagões de mão de obra e grandes distorções no custo desse recurso.


Existem algumas maneiras de se preparar estrategicamente para fugir desses efeitos, mas quero destacar uma das principais: formar jovens profissionais. Pode parecer algo pouco disruptivo, mas, por incrível que pareça, ainda são raras as organizações que executam bem esse papel. Talvez você esbarre naquele velho questionamento: "o que acontece se eu formar essas pessoas e elas saírem da minha empresa?". E, bem, a resposta também não é nova: "o que acontece se você não formar?".


Investir no desenvolvimento de jovens talentos é uma das formas mais eficazes de criar uma base de profissionais capacitados sustentável e escalável para negócios no médio e longo prazo. Demanda algum tempo e consistência, mas funciona. O lado bom é que atualmente existem diversas empresas especializadas em terceirizar esse tipo de capacitação e que ajudam a encurtar o caminho.


Listei abaixo alguns dos principais motivos pelos quais essa é uma estratégia na qual vale a pena investir:


Te prepara para o futuro

Formar jovens profissionais te permite criar um pipeline de talentos consistente e virtuoso, direcionado para as necessidades específicas do seu negócio. Jovens talentos formam a linha sucessória que desenvolve outros jovens talentos e, assim, sucessivamente.


Formação personalizada

Desenvolver gente jovem “dentro de casa” te permite educar essas pessoas para trabalharem alinhadas aos valores que são importantes para você e a sua organização desde o início da vida profissional.


Maior tempo de permanência

Pesquisas mostram que jovens talentos com formação “dentro de casa” se tornam pessoas funcionárias mais leais e tendem a permanecer por mais tempo nas organizações do que outros tipos de profissionais.


Inovação e diversidade

Formar jovens talentos de diferentes contextos contribui para criar maior diversidade nas organizações, inclusive geracional. Maior diversidade significa abranger opiniões mais plurais que representem uma gama também mais diversa de clientes e grupos sociais. Consequentemente, cria-se um ambiente muito mais favorável à inovação.


Incentivos financeiros

Jovens talentos representam um recurso menos oneroso para as organizações, além de gerarem um retorno de investimento que se paga de maneira muito eficiente. Jovens aprendizes, por exemplo, possuem vantagens fiscais e tributárias muito atrativas.


Responsabilidade social e employer branding

Empregar e desenvolver jovens talentos, principalmente aqueles de grupos sub-representados e em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica, gera um impacto extremamente positivo no ecossistema de mão de obra e no mercado de trabalho como um todo. Além dos efeitos benéficos para a comunidade externa, apostar na formação dessas pessoas posiciona as organizações em uma atuação mais genuína de protagonismo social, o que, naturalmente, gera mais engajamento e visibilidade de marca empregadora.


A verdade é que desafios relacionados a pessoas estão longe de serem resolvidos com soluções únicas e/ou genéricas. São necessárias algumas camadas de esforços estratégicos, intencionais e regulares ao longo do tempo para gerarmos resultados que sejam, de fato, relevantes para um negócio. Não temos para onde correr. Em algum momento, a conta chega e o “Rouba Monte” cobra seu preço. A conclusão inevitável não pode ser outra: organizações que saírem na frente na formação de talentos estarão muito mais preparadas para tempos incertos e terão uma vantagem competitiva difícil de combater.



Referências


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